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Relacionar-se e seus desafios: A fragilidade dos relacionamentos da sociedade moderna

Aplicativos de relacionamentos, redes sociais, toda uma vida baseada em “clicks” e não “clicks”, vínculos construídos baseados em “likes” e “dislikes”. A fragilidade dos vínculos. Temas como: insegurança, auto estima e inveja, nunca estiveram tão em alta. Será que desaprendemos a nos relacionar?

Quando falamos sobre os relacionamentos amorosos vamos de encontro com as premissas que norteiam a procura pelo estabelecimento de um vínculo. Aqui está uma das maiores ambivalências do século. Diria até mesmo que quase todos já passaram pela grande dúvida: o desespero de “relacionar-se” e a desconfiança da condição de “estar ligado” (permanentemente”, porque se eu disser eternamente, vocês provavelmente vão parar de ler o texto) a outra pessoa. E por que isso ocorre? É a tão temida condição de se limitarem, cercearem sua liberdade (liberdade esta, fundamental para se relacionar nos tempos atuais).

Não podemos esquecer que vivemos em uma era de intensa “individualização”, onde os relacionamentos passam a ter uma conotação ambígua, entre o sonho e o pesadelo. Entretanto, ambos coexistem.

Se houvesse uma palavra certa para a definição de relacionamentos atualmente com certeza esta seria: ambivalência. As relações humanas estão somente em busca das satisfações que esperam obter de suas relações. Isso vai de encontro com situações como essas: pessoas desesperadas porque foram abandonadas e se depararam com os próprios sentidos e sentimentos facilmente descartáveis, ou ainda, pessoas desejantes da segurança que o convívio proporciona e de alguém para contar nas horas difíceis. As frustrações tornaram-se o cerne principal de suas esquivas e o termo relacionamento cada dia mais é substituído por “conexões”, afinal, é muito mais fácil interrompermos conexões antes de começarmos a repugná-las.  É um termo que cabe muito bem no contexto da vida moderna líquida, onde as possibilidades românticas (e também as não tão românticas) podem surgir e desaparecer na velocidade que quisermos, culminando na busca eterna pela mais satisfatória e mais completa experiência.

Os relacionamentos virtuais possuem algo que seduz, envolve e aliena o indivíduo de um relacionamento “real”, a famosa tecla de deletar. Assim, manter-se em movimento ganha força e estabelecer-se permanece ainda mais difícil (ainda que este movimento uma hora se torne cansativo). A habilidade de fazer um relacionamento funcionar deu lugar para uma vida de alta velocidade. A facilidade do rompimento passa a seduzir, porém isso não reduz os riscos de fracasso, somente os distribuem de modo diferente, afinal: no momento em que ocorre a traição pela qualidade, buscamos revanche na quantidade. E assim, os laços humanos tornam-se cada vez mais frágeis.

Autor: PSY CIBELE FRANÇA

 

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